quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sobre melhores amigos.


De todos os melhores amigos, ele foi o meu primeiro melhor amigo, nos tempos em que as embalagens de cigarro funcionavam como cédula para aposta qualquer fosse o jogo. Nossa dupla era quase perfeita, ele com um poder incrível de persuadir e eu com um mais incrível de ser persuadido, a gente se dava realmente muito bem. Tirando as bobagens de lado,  a gente se dava mesmo muito bem, esse lance de persuasão é só alienação imposta em mim pela sociedade,  a gente se aceitava como era, e de algum modo nos importávamos com o que o outro achava, como se a presença do outro nos deixasse mais forte. Se ia jogar dominó, a gente era uma dupla, se íamos jogar futebol de barrinha, a gente formava o time, tentávamos encaixar esse lance de ser dupla em quase todos os jogos, e nos entendíamos como todos os melhores amigos se entendem, as vezes sem precisar dizer nenhuma palavra, assim como quando precisava-se de uma certa peça a ser lançada à mesa no dominó. Ele, dois anos mais velho que eu, eu dois anos mais novo que ele, eu tinha a idade de seu  irmão do meio, o que teoricamente me aproximaria à seu irmão, o que não aconteceu, lance de incompatibilidade, sabe? Esse se ajeitou como melhor amigo do meu irmão que hoje também é o do meio entre os filhos de minha mãe, mas nesse tempo não existiam os mais novos que hoje existem e os dois aprontaram poucas e boas, mas se o assunto é melhores amigos, o meu amigo e eu, éramos a peste bobonica do sertão e ninguém no mundo ia nos vencer, seja qual fosse o jogo.
Mas o que falar de um melhor amigo? De verdade ele era um cara leal, a nossa cordialidade era incrível  sempre tentávamos dar uma força ao outro, buscando sempre melhorar no conjunto e por aí a gente ia se virando, é o tipo de caso de que se um tá soltando a pipa, o outro enrola a linha. Se nossa rua era a Meca do bairro, nós sempre iramos ser os caras da rua! Mas fora o nosso individualismo, apesar de melhores amigos, fazíamos parte de um grupo e dentro do grupo era nós contra todos, mas se assunto fosse extra-rua, seria um por todos e todos por um, melhores amigos à parte, sempre fomos uma equipe e desbravar a vida aos treze é algo pra que realmente tem coragem e assim éramos nós, rompendo as barreiras do que achávamos ser impossível, algo como cortar oito pipas e não ser cortado uma vez no inicio da tarde de uma sexta.

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