quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A maior rua do universo.


Dessa lembrança sei que muitos compartilham, pois de uma rua com historias infinitas as infâncias estão cheias.

Uma rua como tantas outras esburacadas de uma cidade tão pequena que do  começo  já dava pra enxergar o final, mas nessa cidade pequena algo de grande tinha que haver e o que de maior existia com certeza era minha rua, onde nasci, cresci e vivi à maior rua que o universo foi capaz de criar, os duzentos e cinquenta metros mais longos que no mundo há de existir. As árvores eram poucas, mas as que tinhamos eram suficientes para nos alimentar depois do futebol com traves de sandália e com bola de plástico estrategicamente praticado na parte do meio da rua , só pra irritar a vizinha que teimava em cortar nossas dente de leite pelo simples fato de ir pelo sentido contrario ao que acreditávamos ser diversão. Nem todo mundo nasce com o dom de saber viver, essa nossa vizinha deve ter sido alguém que penou pra aprender, acredito eu que o portão dela era mais importante que os olhos brilhando do cara que marcou o primeiro gol do dia. O meio do campo era nossa linha do equador, cortava a rua ao meio bem no centro dela, alguns inimigos e muitos amigos nos  extremos, pólos bem diferentes pra ser sincero. Cada um com um apelido,  ninguém se conhecia por nome, cada um com sua alcunha assim como um guerreiros deveriam se conhecer, defendíamos como poucos defenderiam seu habitat, e esse era o nosso, a terra dos maiores campeões, no futebol , na pipa e no pião, bola de gude, badoque e latão, não éramos muitos, apenas oito, e esse era o nosso chão, a maior transversal do meu bairro, a única rua que cortava o bairro inteiro, de um lado ao outro, de certo modo éramos pedaço de todos e todos eram pedaços de nós, assim éramos a meca de meu bairro, a maior rua que numa cidade sem suportes poderia assim ter.

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